Não é só rezar para chover!
Participei na última quinta e sexta-feira do 27º Encontro de Entidades de Economistas do Nordeste e a última palestra foi do secretário estadual de agricultura, o senhor Eduardo Salles. A palestra transcorreu de uma maneira bem informal e pelo que o secretário dizia parecíamos viver em tempos de bonança sem fim. Livramento fora lembrado ao falar das grandes crises provocadas pela seca, que assim como eu, ele diz já se arrastar por mais de 3 anos.
Encerrado o encontro, o secretário recebia os cumprimentos, aproveitei para me aproximar. Logo de cara me identifiquei como livramentense e pedia “boas novas” para minha amada terra ao secretário. Para surpresa ele me disse: “tenho sim, já atualizei o projeto de pressurização e o apresentei mais uma vez ao ministério.” Eu logo retruquei: “mas secretário, este projeto existe desde 89, quando fora inaugurado incompleto o perímetro, o projeto de pressurização não é nenhuma novidade.”
Ele já não me olhava do mesmo jeito, acho que acreditava que aquela sua singela resposta seria tudo que eu esperaria ouvir e que sairia dali radiante de felicidade, mas não foi. Citei outras necessidades “batidas” do perímetro e o questionei mais uma vez: “Tem previsão para que algo seja feito? O governo precisa intervir, estamos esquecidos.” Foi então que com um sorriso irônico me respondeu: “Por agora, é só rezar para chover!”
Esta sua última frase “martelou” a minha cabeça por todo este fim de semana e sinceramente, ela se confunde ao “silêncio” e passividade de nosso povo ao ver “morrer” o Perímetro Irrigado do Brumado, poucas são as vozes que se fazem ser ouvidas. Somos de uma cidade eminentemente agrícola e nossa história mostra isso. Não nos basta rezar para chover, o perímetro precisa ser repensado, se reestruturar e buscar alternativas que o faça emergir desta crise que fora instalada pela inoperância de muitos governos, obviamente que agravado pela seca.
A única ação governamental foi a prorrogação do prazo para os pagamentos dos empréstimos agrícolas, até porque, os produtores não tem como arcar com eles sem produzir. Mas, não dá mais para convivermos com o primitivismo dos “regos” e desperdiçarmos tanta água. Os donos de terras precisam ter o “título” que certifique realmente a sua propriedade. Necessitamos de alternativas para que a Barragem do Paulo deixe de ser apenas uma figuração. E deve ser rediscutido também a forma da produção, principalmente o uso dos agrotóxicos.
Se mantivermos passivos e alheio a tudo isso, permaneceremos esquecidos aos olhos do governo, como fomos em todos estes anos. Recentemente a Bahia foi contemplada com investimentos na ordem de 500 milhões no Programa Mais Irrigação do governo federal e ficamos de fora. Volto a empunhar esta bandeira e conclamo nosso povo em defesa de uma patrimônio de todos livramentenses. O povo já mostrou que sua voz é ouvida!
Lucas Spínola, livramentense, graduando em Economia


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